![]() ![]() ![]() |
|Meu perfil| BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher, de 20 a 25 anos, English, French, Música, Música, estar com os amigos. Ser feliz!!! Nasc: 12/05/83 Signo: Touro Ascendente: Virgem Família: Minha vida Animal de estimação: Meu cachorrinho Angel Adoro: Minha família, meus amigo(a)s, música, praia, ver as estrelas e sorvete de morango Odeio: Mentira, falsidade Comidas: Lasanha (massas em geral) Bebidas: Suco de maracujá e milk shake de morango Filmes: "U amor para recordar", " A espera de um milagre", "Como perder um homem em 10 dias", "Amor por acidente" e " Pearl Harbor" Músicas: Forever (Kiss), Por você (Barão Vermelho), Someday (Nickelback) Poetas: Fernando Pessoa Frase: "Você aprende a construir todas as suas estradas no hoje, pq o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.” na TV: The O.C Livros: "O sofrimento do jovem Werther" (Goethe) Sonho: Estudar medicina e me formar em oncologia Qualidades: Sinceridade, paciência e dedicação Defeitos: Perfeccionismo,teimosia e não dizer o que eu realmente sinto | |

As duas faces do amor (Di)
Isabele e Gustavo se conhecem após se esbarrarem no calçadão da praia, quando a garota retorna de seu passeio reflexivo e conseqüentemente ele a culpa por não prestar atenção por onde andava, começando assim uma discurssão. Ela odiara aquele rapaz, apesar de sua presença marcante. Quem ele pensava ser? Deixara o falando sozinho após ter lhe dito umas poucas e boas verdades. Precisava colocá-lo no seu lugar, não suportava gente mal-educada. Que atrevimento! Apesar do seu jeito doce e delicado, a garota escarnecia dos outros, um meio esse, de não mostrar sua fragilidade interior.
Porém, a vida vem lhe pregar uma peça. A garota estava estudando no mesmo colégio do “Sr. Sem-educação” . E ao reconhecê-la, Gustavo ainda movido pelo despeito, pela presença forte de suas palavras que ainda permaneciam em sua cabeça, decide apostar com Lucas, seu melhor amigo, que a conquistaria. Ninguém o havia tratado daquela maneira árdua.
Desconfiada, a aproximação não foi fácil. Logo, logo, o feitiço vira contra o feiticeiro, e o garoto se vê apaixonado por ela. Mas entrar em seu coração não seria uma tarefa fácil... Deixara clara que o que lhe interessava era apenas amizade, ainda que o coração se enganasse...
A festa de confraternização do colégio havia chegado. Isabele fora a primeira imagem que rapaz enxergara naquele salão.Desta maneira, a observava com os olhos os seus passos , sem que ela o notasse . Isabele havia escapado silenciosamente para o jardim . Alguns instantes depois, a lua iluminava o rosto de um rapaz á sua frente, que a olhava nos olhos, sorrindo.E uma nova música da seleção romântica se iniciou. Não foram necessárias as palavras, instante falava por si.E aqueles braços a envolveram e a carregaram para a fantasia. Ali, nada foi dito.As palavras não conseguiriam expressar os sentimentos.Os dois estavam vivendo uma emoção única e já não era possível escondê-la.Os seus olhares eram chamas que queimavam e incendiavam as suas almas.Arrancava-se dali os seus profundos suspiros.E num tímido olhar, ela ergueu as vistas, e foi aos céus quando uma boca maravilhosa colou-se à dela, sendo entrelaçada pela vitalidade de um abraço único e apaixonado. Mas não podia ser, aquilo não era possível. Não queria arriscar-se de novo. Não podia permitir isso.
Saiu de lá, sem olhar para trás.Desapareceu entre os convidados.A verdade é que não queria ter deixado aqueles braços fortes.Queria ter aquele peito forte sobre o qual debruçar, procurando apoio.Queria sentir aquele cheiro maravilhoso que lhe adoçava a alma.Queria que aquele calor abrasasse-lhe os lábios. Queria senti-lo seguro em seu coração.Queria apenas não querer tanto...
Segunda feira. Chegara atrasada na escola, a fim de evitar Gustavo.O portão já ia se fechando.Mas do que adiantava fugir se o motivo de sua fuga, a esperava no jardim. Marcam de se encontrar no final da aula para conversarem. Disposto a ouvi-lo, Isabele vai ao seu encontro e o vê aos beijos com uma outra garota. Descobre-se mais tarde que fora apenas um desentendimento. Começam a namorar. O clima é de paixão.Porém, as coisas parecem tomar outro rumo. A mãe de Gustavo, a procura e pede para que ela se afaste dele. A garota tentou conter o choro, porém as palavras que ouvira soavam como facadas em todo o seu ser.Segurou as lágrimas e saiu em direção ao portão.Como aquela mulher que se mostrava tão doce podia dizer palavras tão dolorosas?Isabele notara uma certa tristeza em seu olhar, mas de qualquer maneira não podia haver mais tristezas do que nos seus próprios olhos. Consolada por Lucas , decide não desistir de Gustavo. Mas Gustavo diz ao amigo que brincou com a garota, que a sua mãe foi falar com a namorada a pedido dele.
Lucas saiu logo e em seguida Gustavo pegou uma caneta e uma folha de sulfite azul.Acendera a luz da escrivaninha que se distribuía ao lado direito de sua cama.O silêncio ficou presente por alguns instantes até que a sua imagem que a pouco tempo permanecia imóvel,voltou ao seu estado de consciência.A caneta corria livre sobre o papel.
No dia seguinte o garoto a procura e conta-lhe da aposta, do motivo que o fez se aproximar dela. Suas palavras pareciam desmoralizar o mundo que Isabela havia construído.Seu coração sofria um golpe profundo que a despojou do governo de seu coração.Havia se lembrado do pesadelo que teve antes de iniciar o falso romance. Gustavo ficou imóvel enquanto Isabele saíra em direção ao pátio.Já não podia conter as lágrimas ao chegar em casa.Em seu quarto chovia.Chovia uma infeliz chuva de tristeza como contraste e consolo aos sentimentos de seu coração.Aquela dor ardia a cada soluço em lágrimas.Aquilo era triste.Solitário.Único.
A cena mais uma vez se passara em sua mente.A carta se encontrava em cima do seu fichário.Não queria lê-la.A verdade é que nada mais poderia feri-la.Não conteve a angústia e a abriu.Mas sim, aquilo lhe ferira mais do que poderia imaginar. Aquelas palavras haviam sido a gota-d’água. Mal conseguia dormir.Pensava em Gustavo.Procurava uma razão pra ele se ausentar.Se era uma aposta,por quê ele iria embora e não ficaria para rir da cara dela?Por quê não conseguia sentir ódio dele?
Pela manhã, ao chegar ao colégio e ver o cenário da onde viveu por alguns dias um amor mentiroso, era como se tivesse um punhal enfiado no peito.
Isabele estava enfrentando a pior tristeza de sua vida.Vivia sozinha e triste pelos cantos.Os amigos tentavam reanimá-la, mas ela não conseguia se recuperar da angústia que lhe afligia....
Pela manhã, ao chegar ao colégio e ver o cenário da onde viveu por alguns dias um amor mentiroso, era como se tivesse um punhal enfiado no peito.
Isabele estava enfrentando a pior tristeza de sua vida.Vivia sozinha e triste pelos cantos.Os amigos tentavam reanimá-la, mas ela não conseguia se recuperar da angústia que lhe afligia.
Três meses se passaram, e Isabele já sorria.Um sorriso que há muito tempo não se via no rosto dela.
Um novo aluno chegara na escola e as meninas ficaram impressionadas com a beleza daquele garoto. Isabele entrara na sala com os dicionários que a professora havia pedido e ele assim que a viu, ficou inebriado com a beleza da garota, fixando-se assim seus olhos nela E quando ela fora se sentar, Pierre ergueu um olhar para ela e sorriu.E ela educadamente retribuiu com um outro sorriso.
Com o passar do tempo, tornaram-se grandes amigos.
Era aniversário de Isabele, e ao chegar em casa um grande buquê de rosas vermelhas com um gracioso cartão lhe aguardava. Viera a imagem de alguém em sua mente, mas cogitou a idéia. O autor anônimo só podia ser Pierre.
Quando Isabele voltara da casa da amiga de sua mãe, encontrara todos os seus amigos queridos que vieram lhe fazer uma festa surpresa.
Pierre a convidou para dançar. A música era tão leve que a fazia levedar.Sinceramente Pierre era tão afável, e tão educado.Não pôde negar o convite da dança ao olhar para aqueles olhos d’água, o firmamento.Surgiu subitamente aquela perfuração dos sentidos: o mar procura terra à vista.Era aquela cousa de "olho no olho”, e os lábios se aproximavam como a noite que sucumbe o dia, cobrindo o Sol com sua face. Mas ela não podia continuar. Não podia se envolver. Era uma vala de erros e não podia entrar lá de novo. E em vão Pierre tentou argumentar.Segundo ele, ela preferiria ficar lá dentro da escuridão, talvez fosse mais seguro lá embaixo que a fazia ter medo até de tentar.
Pierre dirigiu-se até a rua e Isabele vendo a cara de descontentamento do garoto notou o erro que acabara de cometer, não desejava que ele fosse embora.Correra em direção ao portão, mas já era tarde, ele já havia desaparecido entre as ruas. Talvez fosse melhor assim, pois mesmo sem querer Gustavo ainda fluía nos pensamentos dela.E Pierre ajudou-a a suprir a tristeza que ficou cravada em seu peito.Depois de um tempo privando-se da luz do dia, criando uma noite artificial e chorando pela opressão do seu coração,concluiu que viver amando alguém que desprezou o seu amor era uma tortura ingrata que precisava ter fim.Sua alma pressentia quando havia certa carga do passado em sua vida, mas quem tivesse o lema de seu destino, que a levasse.
A festa acabara e Isabele fora para seu quarto.Tomou um banho, vestiu a camisola e escovou os cabelos.Ao abrir a gaveta de seu armário viu a rosa que havia ganhado de Gustavo, no dia em que ele havia lhe pedido em namoro.Ficou ali lembrando as palavras doces que ouvira dele.Em seguida vira o fel em que aquelas mesmas palavras se transformaram.Decidiu extinguir a rosa, mas uma força maior obstruía o desejo da destruição.Guardou-a novamente, mas agora num lugar onde evitaria olhar e tocar nela.O sentimento que somente seu coração descobriu agora estaria guardado das lembranças.Estava disposta a deixar para trás, os sonhos e os pesadelos, as alegrias e as tristezas, os sorrisos e a dor, a esperança e o devaneio, o passado e o futuro.Estava disposta a esquecer Gustavo.Adormecera.
No domingo encontrara Pierre na praia e este lhe disse que não iria desistir, estava disposto a esperar por ela, levasse o tempo que fosse.
Nos dias seguintes, Isabele e Pierre estavam mais unidos do que nunca. Decidiram serem apenas bons amigos. A relação entre ambos se fortalecia a cada instante. Porém Pierre não hesitava em perder a esperança diante dos sentimentos de Isabele e ele sabia que seria melhor ficar perto de seu grande amor como um bom amigo do que se afastar dela.
Depois das três primeiras aulas, o Pierre, a Juliana e o Júnior desceram para o intervalo e ficaram no jardim aguardando Isabele e Marcela que foram comprar lanches na cantina.
Enquanto conversava com a amiga, Isabele sentiu um calafrio. Mas ignorou a sensação para não quebrar o entusiasmo da conversa.
O formigamento nas costas da garota não passou com o fim da conversa. Intensificou-se ao mesmo tempo em que uma onda de calor lhe cobria o ombro direito. Antes que ela tomasse consciência do que acontecia, foi alertada pela amiga.
-Bel olha para trás, olha só quem está aí?
Por pouco o susto não a fez derrubar os lanches no chão. Estava confusa com as emoções desencontradas que a dominavam; sentia-se perdida!
Era Gustavo. Enquanto isso, o coração dela batia acelerado, e sua vontade era de correr ao encontro dele, abraçá-lo e sentir o calor de seu corpo...Deus por que tinha de se apaixonar?Por que seu coração tinha que lhe torturar?
Antes que conseguisse disfarçar as emoções que a tomavam de assalto, e entretida pelas lembranças passadas em um gesto inconsciente a garota ergueu o olhar e se deparou com o de Gustavo.Por um breve instante Gustavo pareceu igualmente perturbado.
Isabele se pôs a caminho ainda perdida em devaneios.Não podia negar, em seu coração ainda pulsava o sentimento mais profundo......
Ela deve estar me odiando, não é Lucas?
-E não é para estar?
-Passado é passado - Gustavo continuou. - Eu mesmo cometi um monte de erros, que só hoje reconheço, entretanto não posso magoá-la de novo.
-E você acha que ela também não está sofrendo.Cara dá para ver nos olhos de vocês o que ambos sentem um pelo outro. Por que não conta à verdade para ela?
-Eu não posso fazer isso? Não seria justo.
-Eu sou amigo de vocês e não posso ver ambos sofrendo, se você não contar a verdade eu conto.
-Você não pode fazer isso.Você não tem o direito de revelar um segredo meu?
-Eu não tenho direito?Você acha que eu vou deixar duas pessoas que eu gosto estragarem seus sonhos?E você tem o direito de fazer a garota que você ama sofrer?
* * *
Enquanto isso Isabele lutava contra as emoções conflitantes; nunca conhecera alguém tão intimidador que com uma expressão desdenhosa destruíra todos os seus sonhos em relação ao amor, mas que ao mesmo tempo em que lhe dava vontade de sumir tão cativante lhe prendia toda sua atenção.
Ter sido usada, com os seus sentimentos mais profundos manipulados de maneira tão desleal, contundiram Isabele intensamente em analogia ao amor.E agora quase recuperada sentia-se novamente ameaçada.E o perigo ressurgia num garoto que revirava seus sentimentos.Ressurgia num garoto chamado Gustavo.De longe Gustavo avistava Isabele abraçada a Pierre, sem saber que ele a consolava como um amigo fiél.Seguia em direção a sala de aula e apertou os olhos com desespero.Não conseguia apagar da mente a imagem do rosto adorável de Isabele marcado pela confusão.Sentia vontade de se bater, de tão magoado consigo mesmo.Vivera meses seguido de uma conduta adequada ao cinismo que havia criado.Mas naquele dia questionava tal conduta, que de certo parecia totalmente absurda.
Há quanto tempo tomava consciência de que não conseguia esquecer Isabele?Cinco meses?Desde o dia que a conhecera naquela praia e ela o desafiara?Um roçar naquela pele macia, um toque leve em seus lábios tinham bastado para levá-lo ao mais belo de todos os paraísos.Estava tão certo de ter o mundo todo em seus pés!Naquele momento não queria nada, pois nada podia ser mais valioso do que ela.De todas as garotas que havia conhecido nenhuma o tocava de maneira tão inconseqüente, nenhuma o despertava para a existência de sentimentos profundos...Até esse dia julgara seguro, mas o destino havia pregado lhe uma peça.
Só que tinha se apaixonado e por alguém que lhe inspirava os mais belos sonhos.Ele havia desistido dos sonhos a custo de um sofrimento que se recusava a admitir, mas teria sido insano se pedisse o mesmo dela.
Embora fosse como fosse que Isabele o amasse mais que tudo, Gustavo, um mero mortal não tinha o direito sequer sonhar em lhe pedir que abrisse mão de tudo.Isabele representava a realidade, uma realidade que ele não podia ousar em possuir.
No dia seguinte na hora da saída, Gustavo se aproximou dela antes que ela decidisse se queria enfrentá-lo ou fugir.
Com muita relutância aceitou ouvi-lo.
Ambos seguiam em direção a praia mais próxima do colégio.O vento lhe emaranhava os cabelos, o rosto dele expressava ansiedade.
-Você me odeia, não odeia?
-Eu não quero mais falar do passado, já foi doloroso de mais para mim.Você não acha que já foi o suficiente?
-Não, não acho.Sabe por quê?Porque tudo que eu queria neste mundo era não ter feito você sofrer!
-Gustavo por que age assim?Eu ...- uma lágrima tentou escapar de seus olhos, mas ela a segurou.-Eu só queria entender por quê você quer me confundir ou voltar a brincar comigo assim.Num momento me trata como se gostasse de mim e no outro...
-No outro ajo como um idiota grosseiro e desprezível?
Isabele sentou-se na areia, sem a menor idéia de como continuar a conversa.Ela não suportava mais ocultar os sentimentos, e a resposta saiu como uma queixa melancólica:
-É sim, um grosseiro desprezível que teima em me atormentar com sua presença.
A indiferença do rapaz desapareceu, dando lugar a uma dor intensa.
-Se você soubesse como dói estar aqui agora e saber que te perdi para sempre.
-Eu vou embora, não vou ficar aqui ouvindo você mentir e inventar absurdos.
-Não vá, sei que não tenho o direito de lhe pedir nada,sem dúvida fiz de tudo para que acreditasse que não tenho um pingo de sanidade mental, mudando de idéia a todo instante a seu respeito e destruindo seus sentimentos.Sei que pareço o cara mais cruel do mundo, porém preciso lhe dizer a verdade...
-Qual? -forçando-o a ir logo ao assunto,antes que ele a enlouquecesse.
-Eu não queria que a garota que eu amo fizesse parte do meu pesadelo.Eu quis te privar de ficar comigo só por piedade, e tudo que fiz foi pensando em você.
-Do que está falando?Que verdade é essa?
-O único sentimento de valor legítimo que senti por uma garota foi por você.Foi amor.Apaixonar-se não estava nos meus planos, mas quando isso aconteceu fui obrigado a repensar tudo o mais.Mas vi minha vida mudar em...
frações de segundos...
-EntãoGustavo do que está falando?
De repente uma lágrima escorregou dos olhos de Gustavo. Via-se a dor de uma lembrança profunda.
-Há alguns meses atrás, eu comecei a me sentir muito mal, então fui ao médico e depois de alguns exames me mandaram para um especialista.Um oncologista.Sabe o quê é?Um médico de câncer... E o prognóstico foi certeiro.Eu estava com câncer Isabele....
-Gustavo?!Por quê... - ele pôs o dedo sobre os lábios dela para impedir que ela protestasse.
-Um tipo de linfoma raro.A partir dessa certeza disseram-me que eu teria que se submeter à quimioterapia, já que sem ela eu não sobreviveria - a lembrança do que se passou doía tanto novas lágrimas rolaram de seu rosto - Eu estava tão feliz por ter te conhecido,que quando confirmei a suspeita, fiquei apavorado.Como perder alguém como você? Como te contar que eu poderia morrer?A ser assim, pedi para minha mãe te procurar e inventar uma história qualquer para que você ficasse longe de mim.E logo em seguida, eu viajei para me tratar.Lá no hospital eu vi todo o meu cabelo cair, meu corpo doer.Tinha dias que acordava com pena de mim e começava a chorar,mas então me lembrava do seu rosto,do seu sorriso e no que você faria para me encorajar.Eu só queria que você estivesse do meu lado, mas não podia te submeter a isso. ...
Então Gustavo lhe tomou o rosto também molhados pelas lágrimas entre as mãos,para que o encarasse.Parecia tão atordoado quanto ela.Isabele em vão tentou argumentar.Num gesto de desespero tão inesperado quanto rápido ele a abraçou e a beijou suavemente.Instantes depois,ele afastava o rosto e os braços.
-Não tive intenção de...Sinto muito.Eu acho que quase provoquei um daqueles erros.que jamais se consegue corrigir.
Ela se mostrava tão frágil, que ainda via em seu rosto o baque da notícia.
-Por quê não me contou?
-Eu só estava tentando controlar as coisas.
-Gustavo assista uma aula de Psicologia por que isso é controle.Sabe qual o seu problema?Seu problema é que você coloca tudo nas suas costas.Talvez se devesse confiar nas pessoas ao seu redor.
-Eu confio em você, só não queria que sofresse...
-Sofrer?Você me fez sofrer e o pior é que você escondeu a verdade.Decidiu por mim. Me excluiu da sua vida no momento em que mais precisava de mim.
-Eu sei.Mas você não imagina o turbilhão de emoções em que estava envolvido.Saber que em questões de minutos eu podia fechar os meus olhos para sempre. Ver a dor nos olhos dos meus pais, amigos e parentes. Sentir a pena dos outros. Eu não tinha noção de como seria a minha jornada pela vida. E não queria dar esperança as pessoas quando eu mesma não a tinha. Mas decidi tentar, tentei não me deixar vencer. E ainda não estou totalmente curado e sei que por mais que tentasse eu não conseguiria te esconder isso para sempre. Eu voltei Isabele,e quero tentar fazer as coisas certas agora. Agora eu me sinto melhor por estar te contando isso. Era horrível esse peso sobre as costas. A idéia de que me odiava. A possibilidade de pensar que contaminei as suas melhores lembranças. Mas eu quero que saiba que nem por um segundo deixei de pensar em você. Nunca. E sei que eu não tenho o direito de te pedir nada, mas quero que você saiba que você me ajudou muito.Você me acompanhou em pensamento para onde eu fui.
-Oh Gustavo, eu sinto muito.Eu queria tanto...
Braços suaves e calorosos o envolveram.Ele se aconchegou ao abraço e desejou que o momento se prolongasse infinitamente. Foi um abraço longo,apertado.Naquele momento ele pertencia inteiramente a ela.Não sabia o que veria nos olhos dele quando o encarasse, entretanto, naquele instante o corpo falava a linguagem do amor.
-Eu te amo Gustavo.
Ainda tomado pela surpresa, ele a encarou firme e lhe revelou o quanto a amava. As mágoas pareciam superadas.
Nos dias seguintes tudo era mágico.Isabele e Gustavo agora estavam felizes.A única coisa mais difícil nesses dias foi conversar com Pierre, Isabele via o quanto havia machucado o amigo,que ainda assim, torcia por sua felicidade.
Segunda-feira Gustavo havia se sentido mal e foi levado ao hospital.Isabele e a mãe dele o aguardavam na sala de espera do hospital.Mas parecia que ele havia adquirido gripe e uma garganta inflamada por isso o médico pediu que ele fosse fazer uns exames de rotina na quarta-feira.
Na quarta-feira, logo após a consulta com o radiologista, sua médica lhe deu a notícia de que a situação havia se complicado e que o tumor havia se alastrado, alojando-se entre o pulmão e o coração e que eles tentariam reduzi-lo com radiação que não o afetaria tanto quanto a quimioterapia, mas que o deixaria um pouco extenuado.Mas dias depois a situação se retrocedeu e ele adquiriu um novo tipo de tumor.Agora o tumor era na medula óssea e seria necessário um transplante que com êxito lhe oferecia 50% de chance de sobrevivência, mas que sem ele acarretaria sua morte e que enquanto isso a quimo seria a única alternativa.
Nessas horas Gustavo agarrava-se num último fiozinho de esperança.Agora ele tinha certeza de que o dinheiro não servia para nada.Do que adiantava a posição social dos seus pais se isso não poderia salvar a sua vida?Onde encontraria um doador entre muitas outras pessoas que assim como ele aguardava um milagre?Como havia desperdiçado sua vida em besteiras e bobagens que o tempo não poderia apagar?E tempo era tudo o que ele pedia.
Isabele agora enxergava com clareza a situação, mas ninguém o afastaria dela.A esperança nunca morre e ela estava disposta a ajudá-lo.
A única forma de combater a doença era dar todo o apoio e ajuda que ele necessitava.Nessas horas queria que os contos de fada se realizassem para que uma fada com uma varinha de condão ou um gênio da lâmpada mágica pudesse lhe conceder um pedido e ela pudesse aliviar a dor de Gustavo. Porém a realidade era outra e ela teria que agir para não ver a pessoa que amava morrer.Isso ela não suportaria.Havia uma saída: encontrar um doador!...
... Isabele e os colegas mais próximos com apoio do colégio resolveram fazer uma campanha para encontrar voluntários para o transplante de Gustavo...
Gustavo estava sentado na areia da praia no finalzinho da tarde quando Isabele o avistou.
-Telefonei para sua casa e sua mãe me disse que você havia saído, mas eu sabia que estaria aqui.O que foi? – Isabele perguntou, flagando-o com o olhar triste perdido no mar.
-Nada.É só que... - não encontrava palavras para descrever a felicidade que havia sentido por uns instantes fugaz.É tão lindo aqui!
-Do que está falando?
Que eu vou morrer e que cansei de ser uma abnegação.Sem transplante e sem doador eu vou morrer.Cansei de tudo.
-Cansou de mim?
-Cansei.Segue sua vida porque não fomos feitos um para o outro.
-Ele a encarou,atormentado.
- Há um mundo inteiro lá fora à sua espera.Você tem que partir sem olhar para trás.Shh... não discuta comigo agora. - ele havia colocado o dedo sobre seus lábios para que ela não argumentasse.
-Você não me ama?- a garota perguntou já sabendo da resposta.
-Claro que sim, mas não quero que se afunde comigo.
Você não me dá muito crédito, dá?Acha que ficarei tão convencida de minha própria importância que simplesmente darei as costas àquele que mais amo.Não vou deixar você ir de novo.Prometa que nunca vai desistir?
-Prometo, e ainda prometo que nunca vou deixar de te amar aonde quer que eu esteja. – E assim confortou naqueles braços quentes e afáveis.
-Então pare de tentar me afastar de você.
-Eu prometo...
As semanas seguintes foram maravilhosas.De repente a nuvens negras que os cercavam pareceram se dispersar deixando-os a mercê de uma felicidade total. Gustavo de uma hora para outra parecia ótimo.Voltou a jogar futebol e surfar que era o que mais gostava de fazer.Continuava fazendo quimioterapia e seguindo todas as recomendações médicas enquanto aguardava um doador.
Era domingo e Isabele estava muito cansada, pois não havia conseguido dormir a noite.Era como se de repente tivessem encravado um punhal em seu peito.Não sabia explicar.Todos estavam tomando o café da manhã quando o telefone tocou.O pai da garota atendeu e ela não pode deixar de ouvir parte da conversa:
-Ele está estável, não está?Ah sim, certo.
-O que foi pai? - já se via o desespero em seus olhos.
-Gustavo está no hospital
-Oh Meu Deus!
Correram em direção ao hospital.Na sala de espera encontrava-se os seus pais e o Lucas.
-Ele não dormiu a noite toda.Tossiu sem parar e hoje de manhã de repente não conseguia respirar.Os médicos nos disseram que o tumor estava pressionando o pulmão e que vão retirá-lo amanhã.Enquanto isso ele vai ficar internado.
Isabele seguiu em direção aos braços de seu pai.E ali ficou.
-Ele vai morrer papai?
-Ele está nas mãos de Deus.Só nos resta a esperança.Ele sabe o que faz....
... À tarde Pierre aparecera no hospital com o Lucas. Gustavo queria conversar com ele enquanto Isabele descansava. Com c coração aberto pedira a Pierre para tomar conta de Isabele caso não saísse vivo daquela sala...Pierre entendera porque Isabele havia se apaixonado por ele.Conseguia ver claramente a alma dos dois e compreender a extensão do amor.
No dia seguinte antes de se dirigir a cirurgia ele quis conversar com Isabele.
-Eu passei essa noite pensando em você.A melhor parte da minha vida foi ter te conhecido e passado esses meses com você.E eu acredito em destino e no Céu.Sei que se não conseguir te levar até ao altar aqui na Terra então te esperarei no altar lá do Céu onde os anjos serão testemunha do amor que sentimos um pelo outro.
-Gu não diga isso, vai ficar tudo bem.Eu te amo tanto, tanto.
-Eu também!Deixe-me acariciar o seu rosto e guardar essa imagem tão linda, pois assim ela estará gravada em meu pensamento quando fechar os olhos e entrar na sala de cirurgia.
-Você voltará a vê-la assim que acordar.
Os enfermeiros se aproximaram:
-Temos que levá-lo para a sala de cirurgia.
-Eu te amo Isabele. - e foi depois destas palavras que ele deu um beijo suave em seus lábios.
-Eu também te amo.Vai dar tudo certo.
Os enfermeiros foram se afastando com a maca e naquele momento só restava esperar e rezar...
-Quer alguma coisa minha filha?
- Eu quero o Gustavo, papai?
- Pare com isso Isabele.
- Parar com o quê ?Eu estou bem.
- Não, não está.Como pode estar bem?Não vai mais para escola, não vê os amigos...
- Deixe meu amor, deixe que eu falo com ela.
- Filha você terá que continuar sua vida.Ele não gostaria de te ver assim:deprimida, magoada e sem vontade de viver.Ele gostaria de te ver feliz.
- Como posso ser feliz sem ele?
- Um dia isso passará e quem sabe você não se apaixonará de novo?
- Eu nunca amarei alguém como eu amei o Gustavo.
- Quem sabe filha, você é tão novinha. A vida dá muitas voltas.Mas você precisa retribuí-lo sendo forte.
A verdade é que Isabele nunca quis muito da vida e agora o que ela queria não podia ter: Gustavo! Porém não queria mais sentir pena de si mesmo, pois se ele estivesse do lado dela faria tudo para encorajá-la.
Numa tarde de sol ela foi levar flores no cemitério.Em meio a pensamentos e devaneios as imagens daquele que roubara seu coração transcorreu sua mente, logo se viu obrigada a buscar forças para preencher sua alma vazia de sonhos,de ideais e de vida. O seu coração batia ainda que partido e ferido. Mas aonde buscaria forças? Em seguida lembrara que tinha alguém que mesmo com o coração disperso de tristezas, de sonhos destruídos pelo tempo que já não possuía lhe ensinou a lutar pelo último pingo de esperança que o mundo ainda abrangia. Sabia que o tempo haveria de curar as feridas mais profundas e embora seus sonhos se esfizesse em nada, a haveria de agradecer a Gustavo pelo tempo fugaz em que havia sido tão feliz.Ela ainda possuía o direito de recordar cada momento de felicidade que vivera com quem lhe ensinou a viver.Um desabafo saiu de seu ser: "Se você soubesse a falta que você me faz!” A garota sentou-se diante do túmulo e uma lágrima escorreu diante de seus olhos. Tudo parecia tão vazio, mas teria que preencher os buracos.
Era o amor que havia sonhado por toda a vida.Alguém que o tempo não apagaria. Alguém que a acompanhara na estrada de sua vida, luz que a guiara,que fizera de cada amanhecer a esperança de um dia melhor, que a aceitou do jeito que ela realmente era, enxergando o seu ser numa totalidade que ela mesma não conseguira ver, alguém com um sorriso cativante capaz de estremecer-lhe o corpo e dar-lhe asas para sonhar e voar em busca de seus sonhos.Conhecera as duas faces do amor: a alegria e a tristeza que agora se uniam formando aquilo que chamava força.A força pra seguir em frente.Ela que surgira da imagem de uma recordação.A mais bela e doce das recordações: o amor.Um amor de significados bonitos.Amor nuvem.Amor aço.Amor vida. O amor em sua totalidade.Amor que nas vindas e idas da vida se descobre que nunca é falho. (FIM)